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Quinta da Francelha

Prior Velho

O sistema hidráulico da Quinta da Francelha foi construído nos finais do século XVIII. Originalmente seria composto por um poço de onde era elevada a água através de uma nora movida por um boi com potes de barro fixados à sua volta, os “alcatruzes”. A nora, engenho de elevar água de origem árabe, esteve activa até ao inicio do século XX altura em que foi substituída por um mais moderno – moinho de armação americano – o qual ainda se encontra sobre o poço mas desactivado desde finais do século XX. Ao ser elevada, a água, entrava nos canais suportados por pilares – o aqueduto – junto do poço, entrando posteriormente na estrutura da casa seguindo até ao chafariz da Castelhana onde se encontra uma cisterna que além de alimentar o chafariz contíguo, pensa-se que também poderia servir o lagar, edifício adjacente à mesma.
O aqueduto encaminhava a água para os campos secos e para o lago com uma pequena cascata de embrechados. A horta, a cota inferior, era regada pela água que retirada do poço se armazenava no tanque grande. Actualmente está instalada uma bomba eléctrica no poço que eleva a água e por tubagens subterrâneas a distribui pelas hortas e jardins.
Após caracterização e avaliação dos espaços exteriores, estruturas e sistemas existentes na Quinta da Francelha apresentaram-se várias prioridades de intervenção entre as quais os proprietários optaram pela melhoria da drenagem das águas pluviais do pátio de entrada, e do jardim principal a Sul da casa e novo limite Oeste da Quinta, melhorando, consequentemente, a drenagem do pomar. ACB propôs também o restauro do jardim de buxo a Norte da casa, onde uma fonte de embrechados, revestida a conchas e ostras se encontrava parada há décadas e inclui-se esta intervenção no restauro.
No enorme terreiro da entrada avançou-se para uma prospecção do sistema de drenagem existente da qual se concluiu que o funcionamento era deficiente por as inclinações serem insuficientes para o normal escorrimento da água, propondo-se a sua substituição e o aumento do número de sumidouros no pátio da entrada.
Para drenar o jardim principal, junto à fachada Sul da casa, onde os terrenos se encontravam todos inclinados para a fachada infiltrando-se na mesma, foi executada uma valeta adjacente à respectiva fachada que além de receber as águas pluviais do telhado e de escorrência do jardim encaminha-a para um sumidouro que se encontra no seu limite inferior. Este sumidouro descarrega nas tubagens subterrâneas que vêm do pátio da entrada e seguem para o limite Oeste da Quinta onde foi executada uma vala drenante com geodreno de ponta a ponta que encaminha a água para uma caixa que se encontra no limite Norte da Quinta.
Como os proprietários manifestaram interesse no restauro da pequena cascata de embrechados de finais do século XVIII, o qual deixou de receber água no momento em que foi desactivado o aqueduto. Para o restauro deste conjunto foi feita a substituição das tubagens que ligavam o aqueduto aos repuxos, instalada uma bomba de recirculação da água para evitar gastos e inseridas pedras e ostras onde estas faltavam ou se encontravam partidas. A intervenção na Quinta da Francelha não é quase visível mas considera-se da maior importância pois a drenagem vai permitir uma melhoria de todo o conjunto construído. O restauro da fonte de embrechados dá já vida ao pequeno jardim de características peculiares onde se conjugam os espaços de lazer, os bancos e buxos e os pequenos pavilhões do alambique/ adega e pombal.
Ficha Técnica - Arquitectos Paisagistas

Coordenação de Projecto:
Cristina Castel-Branco

Assistência de Projecto:
Inês Sampaio Fontes

Área: 16 300 m2

Estado: Construído

Cliente:
Eng. Francisco Patrício

Data: 2010

Observações: Subsidiado pelo projecto EEA Grants