PT EN

Atelier ACB

Lisboa

A água é um bem precioso para os jardins do Sul. As reservas de água em cisternas faziam parte da construção dos jardins. Desenhei o jardim do atelier ACB Ltda com 60m2 para ser visto de cada lado e de cima precisam de água para se manter verdes. Antes de começar fizemos uma cisterna enterrada a um metro e com 17m3. Sobre a cisterna corre um pavimento com grandes placas de lousa irregulares e o calhau rolado aumenta-lhe a largura – necessária para a cisterna. O tanque de água foi construído sobre parte da cisterna. Tem 40 cm de altura e por ele se passa sobre placas de lousa, a caminho da sala de reuniões. Só aquele bocadinho de água e já dá para reflectir o céu. No desenho que fiz senti que a superfície de água precisava de continuar na vertical. Pensei numa pedra enorme de ardósia e comecei a desenhá-la. Nela deixei a minha assinatura: um rectângulo de ouro puro e as suas sub divisões. À noite a água ainda é mais bonita que de dia então precisava de reflectir a luz. Desenhei dez cubos vazios na pedra grossa de ardósia para lhe colocar à noite velas e vê-las reflectir-se na água escura. Um repuxo de água mantém a circulação todo o dia e um barulhinho fresco e reduzido entra pela sala de trabalho. Na parede sul plantaram-se ciprestes para os transformar numa parede verde com cheiro a madeira. Em vez de relva a dichondra preenche todo a superfície de terra. Duas cerejeiras e uma sebe de escalonia serpenteia para ser podada em redondo como escultura verde e não como sebe. Ter um atelier de fazedores de jardins com um jardim no seu interior é um divertimento, uma montra para os clientes, mas mais do que tudo um lugar de inspiração com cores e crescimentos que seguem a sua marcha lenta no tempo.
Ficha Técnica - Arquitectos Paisagistas

Coordenação de Projecto:
Cristina Castel-Branco

Assistência de Projecto:
Miguel C. Sousa | Raquel Carvalho

Área: 60 m2

Estado: Construído

Cliente:
ACB, Lda

Data: 2007